Brasília, 23/11/2011. Foto George Gianni / PSDB.

 

Em suas primeiras declarações sobre a crise entre PT e PMDB, que ontem e hoje alcançaram suas temperaturas mais altas, o pré-candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou que o cenário é uma consequência do autoritarismo e arrogância do governo do PT, que em vez de querer aliados, “quer vassalos”. A afirmação foi feita em coletiva de imprensa no Senado, nesta quarta-feira 12.

“Essa crise é consequência daquilo que anunciávamos há muito tempo, de um governo autoritário que não quer aliados, quer vassalos. Um governo que não quer partidos para compartilhar um projeto de Brasil, quer aliados para vencer as eleições. Isso tudo é consequência da arrogância com que o PT vem conduzindo o governo até aqui, e agora colhe esses frutos”, declarou.

Para o tucano, o governo pode ter um benefício em tentar segurar o partido aliado oferecendo cargos: “os minutos a mais no tempo de televisão”. Porque a base do “PMDB da resistência, da democracia, que quer avanços no Brasil, essa o PT já perdeu”, disse Aécio. Segundo ele, já houve um “descolamento claro” das bases do PMDB “desse projeto que está aí vivendo os seus estertores”.

Com as declarações, o senador tucano cria uma “ponte” com o partido do vice-presidente da República, Michel Temer, cuja bancada na Câmara tem dado claros sinais de insatisfação. Segundo ele, a crise traz uma aproximação natural entre os dois partidos. “O PSDB nasceu de uma costela do PMDB. Quanto mais o PT faz valer seu projeto hegemônico, é natural que, em função das realidades locais, haja uma aproximação. Isso não é uma estratégia do PSDB. É algo natural”.

No Rio de Janeiro, a legenda, que é presidida por Jorge Picciani, já declarou interesse em apoiar a candidatura à Presidência de Aécio Neves, e não à reeleição da presidente Dilma Rousseff. Questionado sobre uma possível aliança no estado, respondeu vagamente: “recebo sinais, até porque tenho amizade com companheiros do PMDB do país inteiro, mas não busco uma cooptação. Acredito nas coisas naturais da política”.

Fonte: Brasil 247